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Games, jovens e o novo empreendedorismo

Como a cultura atual favorece e muda os rumos do empreendedorismo, antecipando um ciclo que antes dificilmente poderia ser quebrado. E como isso abre novas e inúmeras oportunidades de negócio.

por RENATO FIGUEIREDO.

21.ABR.09

Sou de uma geração que passou a infância administrando fazendas, construindo cidades, gerenciando multinaconais de transporte civil e de minerais, parques de diversões, hospitais ou mesmo até cuidando da vida de gente grande. Games como “Sim Theme Park”, “Sim City”, “Transport Tycoon”, “Theme Hospital”, e o famosíssimo “The Sims”, parecem ter marcado uma nova geração de empreendedores ao simular para as crianças e adolescentes noventistas toda a emoção, desafios e responsabilidades de se administrar negócios e empreendimentos. Mais do que simples entretenimento, os games interferem e refletem a cultura do Zeitgeist atual, e parecem ser importantes protagonistas da formação de uma nova cultura empreendedora.

Depois de escutar tanto histórias de multinacionais que começaram numa garagem, com simples idéias e iniciativas, se antes o caminho a ser seguido era o de “consiga um estágio, depois cresça aí dentro, vire supervisor, depois gerente e daí você vira diretor para, só depois, pensar em ser empresário”, hoje o caminho “natural” parece ser justamente o contrário. Filmes, livros, pessoas e revistas nos colocam a pensar se vida corporativa, esse caminho anterior, realmente pode nos levar a um destino sonhado, e não a um trabalho exaustivo, infinito e sem realização pessoal. A cultura do empreendedorismo toma lugar, portanto, cada vez mais cedo na vida do jovem profissional.

Quem nasceu algumas décadas antes desses games e até do próprio computador pessoal, hoje pensa em abrir seus negócios e se depara com uma força cada vez mais forte desses novos empreendedores e candidatos a milionários antes dos 30. Se lembrarmos dessa nova habilidade desenvolvida pela cultura da internet e de tais games, fica fácil enxergar como os jovens de hoje estão mais preparados para enfrentar o antes desconhecido caminho do empreendedorismo – e que, antes de histórias como Apple, Gillete, Google, You Tube e outros, simplesmente não existiam.
As novas buscas no território do trabalho, onde o “sonho de trabalhar por conta própria” está cada vez mais em voga e é refletido em diversas tendências que culminam na cultura do Free Agent (leia mais em “Free Agent Nation”, livro de Daniel Pink, ainda sem tradução para o português), dão mais força ainda para essa tendência.

O próprio mercado de trabalho também empurra o jovem para essa vida empreendedora. Campos como os da comunicação, web, e até tecnologia, exigem cada vez mais iniciativas e idéias inovadoras, e muitas corporações e seus burocráticos processos de trabalho ainda não estão totalmente abertos à inovação. É aí que estruturas menores e independentes ganham forças e são extremamente necessárias.

O aspecto financeiro, principalmente em países com complicada legislação trabalhista como o Brasil, também empurra o trabalhador para a estrutura autônoma – o que nesse caso não representa necessariamente um ganho para ele. Como aponta reportagem de capa da revista Exame n. 868, “O Salário Vai Acabar”,  e modelos de remuneração terceirizada, autônoma ou mesmo por bonificação por resultados parecem ser o futuro nas empresas brasileiras e mundiais. O Free Agent na visão do empregador, portanto, passa a ser, além de opção criativa, uma alternativa mais interessante dentro da   folha de pagamento, já que ele é obrigado a ter estrutura própria estrutura de faturamento, sem se incluir nas definições e taxações da CLT.

A princípio, com um complicado e burocrático, difícil e até obscuro sistema contábil no Brasil, isso é ainda pior para os free agents. Mas tende a mudar e se novas oportunidades de negócio forem pescadas por investidores inteligentes – desde locais de trabalho para esses trabalhadores, bem como serviços importante de contabilidade, administração e assessoria jurídica. É mais oportunidade de negócio para todos os lados: até para os próprios free agents. Bem vindos a era do empreendedorismo.

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