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Google e o Pós-Humano

Entenda mais sobre o fenômeno pós-humano através de uma marca tão presente no nosso dia-a-dia que passa a fazer parte de nosso próprio corpo.

por RENATO FIGUEIREDO.

21.ABR.09

Tem uma corrente de pensamento que, para os mais desavisados, pode parecer uma viagem maior do que o tamanho do mundo. Trata-se do fenômeno do pós-humano, que, mesmo você não estando dentro de uma universidade de tecnologia ou ciências humanas, com certeza já ouviu falar caso se depare com certa freqüência com alguma informação, produção ou evento de cunho mais intelectual.

Eu mesmo confesso ter demorado um pouco para levar o pensamento com a seriedade que deveria. Com imagens exageradas do cyborgue, do robocop e de outras artimanhas televisivas noventistas na cabeça, eu considerava o fenômeno como mais uma viagem acadêmica e modista. Mas hoje certas reflexões me provam justamente o contrário.

Não sou especialista no assunto, mas grosso modo, a corrente teórica do “pós-humano” (defendida e estudada por autores como Mario Perniola, Lucia Santaella e outros), defende a idéia de que na era em que vivemos as tecnologias criadas pelo próprio homem são percebidas como extensões de seus próprios domínios biológicos, ou seja, do nosso próprio corpo. Em linguagem mais coloquial, é como se ganhássemos novas pernas, novos cérebros ou novos membros com os quais podemos contar em nossa vida cotidiana.

A teoria fica mais fácil se pensarmos na utilização que fazemos hoje de mecanismos como o Google (a marca é tão grande que fica até estranho denominá-la como “mecanismo”). O sistema e, lógico, as páginas da web que o alimentam e dão a razão de ser, parecem mudar o comportamento humano diariamente. Depois do sucesso do buscador, e com o uso freqüente do mesmo para procurar qualquer tipo de informação – desde o nome de uma atriz que fugiu a sua cabeça, ou o endereço daquela padaria que você foi um dia e queria lembrar onde era, até mesmo uma explicação para algo que você esqueceu e só lembra algumas “palavras chaves” – não há nada que não saibamos mais e que não sejamos capazes de aprender ou nos informar (ou até de esquecer). É de se pensar o quanto isso não se reflete na sala de aula, no trabalho e em nossa vida cotidiana. Nós não dependemos mais tanto de nossos próprios arquivos, não dependemos de caderninho de anotação ou uma biblioteca de referências pessoas – ou até mesmo de nossa memória. Se esquecemos de algo, nosso corpo agora conta com algo chamado Google. Nossa mentalidade agora pode funcionar em torno de “palavras-chave”, que o Google faz o resto para nós, como se fosse mais um órgão de nosso corpo.

Toda tecnologia muda o jeito como o homem interage com o mundo – e sobre isso já versava McLuhan em seu “Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem”. Teóricos como ele nos propõem novos paradigmas para pensar o quanto essa corrente propõe uma nova visão do cyborgue e da dominação do homem pela máquina, sua própria criação. É hora de sair da visão Matrix e entrar numa visão mais humana das possibilidades que o homem inventa para si.

Google, o que é o pós humano?, tecnologia, memória

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