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Vida longa para terceira idade.

O mercado mais novo do Brasil, a Terceira Idade é algo que podemos prestar atenção – tanto em termos mercadológicos, quanto sociais.

por RENATO FIGUEIREDO.

23.NOV.09

Há algum tempo estive em Buenos Aires e, depois disso, tudo o que eu falava tinha alguma coisa a ver com lá. Mas fato é que uma das coisas que me chamou mais atenção ao andar pelas cálidas calles da cidade portenha foi, além da profusão empolgante de cafés aconchegantes e convidativos a cada esquina, foi a postura dos argentinos e argentinas mais velhos.

Diferentemente dos brasileiros, as pessoas de idade na argentina andam arrumadas, de cabeça erguida, e parecem muito mais orgulhosas do que os velinhos brasileiros. No metrô, na rua, no shopping: além de vermos muito mais idosos na rua, os encontramos muito mais arrumados, penteados e perfumados. A sensação é de que o mundo não parou nem virou as costas para eles, e sua vida ainda está no auge – e fica até estranho usar o termo idosos nos referindo a pessoas tão ativas e altivas. Ao contrário daqui, as pessoas de terceira idade parecem dominar tanto ou mais a cena do que os próprios jovens. Mais do que serem respeitados, eles mesmos se respeitam.

É certo que foram eles também que viveram na argentina uma época áurea muito mais forte do que a que seus netos vivem hoje – e daí talvez um motivo para o orgulho enraizado, o que muito bem me lembrou meu tio. No entanto, não deixa de ser válido comentar que, mesmo hoje, perante uma crise que abala o país, eles continuam com sua cabeça erguida, postura e roupas impecáveis. Quem já esteve por lá deve entender o que eu estou dizendo.

O insight que fica é que temos muito trabalho ainda por aqui. “Juventude” é a crista da onda e tudo o que importa para o mundo das marcas até hoje – parece que é só aí que a vida acontece e interessa – mas está mais do que na hora de voltar nossos esforços para esses homens e mulheres 60+, seus desejos, suas necessidades e, mais profundamente até – em suas peculiaridades e próprias contribuições que eles podem nos dar.

Num país em que a população envelhece cada vez mais – anota aí para usar no próximo ppt: 16% da população hoje está acima dos 50, e em 2020 esse índice pode chegar a 23%, segundo o IBGE – é hora de começar a prestar atenção sobre a questão da maturidade. Seja através de um discurso que promova o famoso “empowerment”, seja através de lojas que lhes ofereçam corredores mais largos, etiquetas mais visíveis e banquinhos de descanso (como é o caso da Austríaca Adeg), é hora de voltar os olhos também para os consumidores mais ‘maduros’.

E, só para fechar: acaba de sair e eu acabei de comprar uma revista chamada “Maturidade”, já voltada para essa turminha que hoje precisa se contentar apenas com vagas especiais no shopping ou no supermercado. A iniciativa ainda é bastante incipiente, mas já é uma sementinha para começarmos a entender um pouquinho mais esse jovem segmento que ainda tem um grande futuro brilhante e promissor pela frente.

 

OBS: Post feito com informações (como o case da Adeg e os dados do IBGE) apontadas por Beth Furtado em seu livro “Desejos Contemporâneos” (Editado pela Gouvêa de Souza, cerca de 50r$ na Fnac).

mercado, terceira idade, social

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