por RENATO FIGUEIREDO.
26.mar.09
Sabão em pó está e sempre esteve como uma das categorias em que a marca líder sempre esteve em primeiros lugares. Pense numa marca e com certeza você ou seu colega ao lado dirão: OMO.
Com tanta publicidade e marcas tão forte assim, é estanho notar que a palavra inovação passa longe da rotina desses produtos. Do “branco mais branco” ao “destruidor de manchas”, os sabões em pó estão e sempre estiveram presos na idéia de lavar com eficiência – mas essa eficiência nunca significou necessariamente pensar em real limpeza.
Veja comigo: todas as inovações que saem na categoria estão presas no paradigma de tirar manchas:
Tira manchas lavando mais branco
Tira (50% mais) manchas.
Tira manchas sem alvejante
Tira até manchas que já secaram
Tira manchas das mais difíceis
Tira manchas sem danificar suas roupas coloridas
Tira manchas e deixa um perfuminho gostoso
Tira manchas e sua paciência também
LAVOU, TÁ VELHO
Como se não bastasse, vale mais uma indignação. Para que tirar tantas manchas se cada vez menos a gente se suja, brinca na terra, e tudo o mais? Com uma vida cada vez mais urbana e contida, mais concreto, mais desenvolvimento, mais computador, mais Wii e menos lama – para que se preocupar tanto com manchas?
Os publicitários a adoram, mas sob essa perspectiva fica fácil questionar a estratégia da líder que, ao invés de inovar no produto e no discurso, quis mandar as mães deixarem as crianças se sujar mais para que elas continuassem usando seu produto.
A promessa da campanha é interessante e eu admiro a tacada inovadora. Mas falta algo mais contemporâneo, mais expressivo, mais prático, diário e funcional no mundo dos sabões em pó.
A começar pelo próprio território das manchas! Ainda falta aí algo muito mais expressivo, prático e funcional. Além de falar até hoje em molho de tomate, terra e manchas secas (como se a gente comesse macarrão todo dia e depois fosse brincar na lama), nenhum deles se propõe a tirar as manchas brancas e amareladas deixadas por desodorantes, por exemplo. Ah, e as manchas do cada vez mais consumido Azeite Extra Virgem? Alguém te salva? Ou você tem que apelar para as dicas quase ‘mandingas’ do vinagre de vinho branco, do limão esfregado na hora, do talquinho para bebê na roupa, e mais outras?
LAVAR MAIS LIMPO
É estranho ou, no mínimo, curioso, pensar que até hoje, nenhum ou pouquíssimos sabões em pó se propuseram a lavar de verdade. Se eu fosse criar uma campanha hoje criaria algo tão óbvio como “LAVA MAIS LIMPO”, só para mostrar minha indignação com a categoria. E eu não teria que trabalhar muito para o consumidor o quanto ele ainda precisa disso – nem para desenvolver o produto.
Em países como o Brasil, em que calor, transpiração e umidade marcam presença freqüente em nossa vida, “lavar mais limpo” para matar germes e bactérias que causam mau odor nas roupas – principalmente os de mofo e transpiração – ou que simplesmente esterilizem melhor roupas sujas, seria de certeira valia.
É difícil pensar que seja um problema de tecnologia já que “matar 99% dos germes” é um issue presente em sabonetes, desinfetantes e diversos outros produtos. “Tirar odoros sem apenas disfarçá-los” também é a nova máxima tecnológica de desodorizadores de ar para carro, sofás, ambientes e até vasos sanitários.
É hora de pensar diferente, porque nenhum “tira manchas” super poderoso vai ser capaz de apagar maus resultados num relatório de desempenho dessas gigantes tão demoradas para se mexer.
iniciativa iAZ f1.0