por RENATO FIGUEIREDO.
21.ABR.09
Carlos Jereissati Filho, o CEO do grupo que administra a marca Iguatemi de Shopping Centers, em entrevista a Fernando Tigre, ex-presidente da Alpargatas e da cervejaria Kaiser, afirma na matéria proposta pela Época Negócios de março de 2009, que o futuro dos shoppings centers está cada vez mais atrelado a agregar o oferecimento de serviços como spas, academias, consultórios e até escolas.
Nesse sentido, as praças de alimentação também desempenham papel expressivo. As praças de alimentação registraram aumento em 2008, e o tíquete médio aumentou quase 80% (!) entre 2006-2009. Segundo o jornal DCI, também aumentou o número de clientes que freqüentam a área: de 35% para 39%.
Um shopping pequeno, mas bastante expressivo na cidade de São Paulo por motivos que vão além até do escopo desse post-reportagem (o shopping também é importante ícone na cultura gay contemporânea), chama nossa atenção. Trata-se do pequeno, mas movimentado Center 3, localizado a av. Paulista, em frente ao Conjunto Nacional. Contando com um razoável número de lojas, o shopping, no entanto, encontra maior expressividade em sua praça de alimentação que ocupa o principal e mais acessado piso do shopping, com 30 opções diferentes. Ao contrário de outros, o centro de lazer ocupa o coração do shopping, e não as lojas. O shopping oferece opções inovadoras de alimentação, sendo lar para iniciativas como Wraps, o novo GoFresh, Gyros (enroladinhos de churrasquinho grego), Seletti (comidas saudáveis fast-food) e o mais recente Paola de comida italiana.
E a tendência com certeza não se restringe às metrópoles. Cidades como São José dos Campos, São José dos Rio Preto, Ribeirão Preto, Juiz de Fora, Campinas, et outras capitais Regionais sem praia ou outra fonte de lazer expressiva podem ter também tem nas praças de alimentação um futuro expressivo. Para muitas delas, onde os shoppings são importantes fontes de lazer no final de semana, a praça de alimentação parece ter um futuro importante numa rotina em que cada vez se cozinha menos em casa, mas cada vez mais aumenta o desejo pela comida caseira.
Nos grandes centros, opções mais inteligentes para enfrentar a vida na metrópole também são oportunidade. Pense num centro como esse próximo a Avenida Berrini, que, ale de tudo, sofre com problemas de estacionamento. Um conjunto de serviços que conjugasse estacionamento, alimentação e serviços podia permitir que o trabalhador/executivo deixasse seu carro ali, começando o dia com uma boa academia, depois voltando lá para almoçar, e a noite passando em seu curso de inglês/espanhol, MBA. Depois, ao invés de pegar o carro e ir embora, quem sabe, ele poderia até encontrar a(o) esposa(o)/namorada(o) para um cinema. É verdade que um olhar sobre essa idéia poderia categorizá-la como algo que corrobora para o criticado crescimento das bolhas urbanas de serviço/vivência (representada por empreendimentos como o shopping Cidade Jardim, ou a tendência dos condomínios clube). Por outro lado, com uma boa e diferenciada arquitetura, essa “bolha de serviços” pode se transformar, mais do que um confinamento de elite, num centro comunitário de convivência e que propiciasse maior interação e relacionamento entre pessoas de uma mesma comunidade e com os mesmos problemas, rotinas e aspirações.
É hora de prestar mais atenção no que antes era um simples serviço dentro dos shoppings e mudar o foco do negócio. Se antes arquitetura, cuidado e inovação estavam presentes apenas na parte comercial do shopping, é hora de olhar com mais cuidados para espaços que, até então, eram apenas secundários.
iniciativa iAZ f1.0