por RENATO FIGUEIREDO.
28.out.08
Todo mundo falou da “nova Classe Média”. Mas poucos ficaram para olhar o que está acontecendo com a “nova velha classe média”.
Como o fator “status” e diferenciação continua inerente ao ser humano, e como esse fenômeno do crédito também favoreceu à antiga classe média (que começou a comprar ítens mais caros e de luxo parcelando também em 10x, como todo bom brasileiro), poderíamos traçar mudanças também no cenário AB.
Aqueles produtos e marcas que antes eram destinados a elas, hoje foram parar na mão dos novos consumidores classe C, mais endinheirados – e isso trouxe novidades e ameaças.
Vejamos o exemplo dos filtros solares e cervejas, por exemplo. Antes (nos anos 90 e 2000), as marcas mainstream (mais conhecidas) dos dois segmentos estavam restritas à classe AB. Hoje, elas também estão no carrinho do consumidor C – quem, aliás, além de começar a comprar iogurte, também adora comprar coisas para os cãezinhos, segundo quem estuda os hábitos de consumo dessa nova turminha.
Enquanto isso, o consumidor AB, podendo e querendo se diferenciar um pouquinho mais, foi parar no oásis dos produtos Premium. DERMOCOSMÉTICOS (aqueles “protetores solares muito bons”, em gel, receitados pelos dermatologistas) e CERVEJAS IMPORTADAS, para seguir nossos exemplos, invadiram suas vidas, conversas e desejos. Mas a onda não pára no verão, e sai da praia para chegar no segmento de chás, bolachas, enlatados, e até água.
Sofisticação, qualidade e design diferenciado são algumas das características desses produtos – que ainda não anunciam tanto aqui. A entrada deles abre brechas importantes para o mercado brasileiro, que pode se preparar para rever sua qualidade e até estética – a dominância desses produtos muda o gosto e a referências de embalagem, cores, estilos e temas gráficos. É hora de abrir os olhos, e não só as fronteiras do nosso mercado.
iniciativa iAZ f1.0