por RENATO FIGUEIREDO.
23.NOV.09
Álcool como combustível para carro não é nenhuma novidade para os brasileiros. Desde os idos dos anos 70, com a crise do Petróleo e a contrapartida do programa Pro-Álcool, o Brasil se destaca como produtor de álcool de cana-de-açúcar – o etanol – e de veículos movidos a ele.
Acontece que a evolução do combustível e seu uso não foi acompanhada de uma evolução de IMAGEM – e, portanto de SIGNIFICADO.
Como toda tecnologia em seu início, os carros a álcool da “primeira leva” (os movidos apenas a álcool, como o precursor Fiat 147) começaram a ser vistos nos anos 90 como carros que andavam menos, davam problema e eram difíceis para pegar em manhã e dias frios.
Desde pequeno eu mesmo lembro da imagem que eu fazia de um carro a álcool, ou de ver as bombas de álcool no posto e de ficar feliz de não depender delas. Ter carro a álcool era uma opção econômica – mas com várias desvantagens.
O tempo passou, os carros flex surgiram e marcaram um segundo momento na história do etanol no Brasil. Com a invenção do sistema flex, os problemas com ignição e desempenho foram amenizados frente à nova possibilidade de misturar com gasolina – e o combustível começa a perder seu estigma de ‘carro ruim’ ou ‘de pobre’. Muita gente endinheirada começou a adquiri-los para driblar os altos preços da gasolina.
Ter um carro a álcool hoje é muito mais do que economia, é uma questão de inteligência e ainda resvala na questão da ecologia – o que parece inaugurar o que poderíamos chamar de terceiro momento na história do etanol: quando ele vira combustível verde.
No entanto, ainda hoje vamos ao “posto de GASOLINA” e continuamos a ver as bombas de álcool com a mesma imagem e estética de antigamente: o álcool “COMUM” continua branco, sem graça e – comum. Pouquíssimo se fez pela imagem do etanol. Enquanto a gasolina ganha inovações e extensões de linha (gasolina Premium, aditivada, super Premium, etc e tal), o álcool continua restrito ao limbo do “combustível comum” e não houveram esforços para apagar resquícios de sua era de dificuldades nos recentes anos 90.
A marca que sair na frente fortalecendo e criando novas extensões e trabalhando a imagem do álcool parece ter oportunidades. Desde um trabalho puramente de imagem, com nova estética das bombas e denominação do combustível, por exemplo, até criação de novos produtos como um “eco-álcool feito com processo certificadamente sustentável” ou álcool com aditivos especiais para motores flex, etc: o combustível ainda pode abastecer muitos negócios – e com muito mais octanagem para a marca que investir nele.
iniciativa iAZ f1.0