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ESTRATÉGIA CONSTIPADA.

Uma estratégia em iogurte poderia ter estudado melhor esse tema urbano contemporâneo, ter sido mais participativa e se livrado de manifestações contrárias de órgãos públicos.

por RENATO FIGUEIREDO.

28.nov.08

Ficou vista como mentirosa, foi combatida pela Anvisa e tudo o mais. Ao invés de fazer feio assim, e contribuir para macular a essência do trabalho da Propaganda, certa estratégia de certa marca de iogurtes tinha tudo para ter feito diferente – tanto por imagem da empresa e pelo bem da sociedade.

Com um produto diferenciado em mãos – e com uma eficácia certamente acima do normal – a empresa talvez pudesse calcar sua estratégia numa ação mais duradoura, e com uma participação maior na vida das pessoas do que simplesmente sortear pirex de vidros. Está certo que o iogurte chegou a salvar a multinacional que o fabrica da falência, sendo sua grande pérola de ouro. Mas isso abre espaço para uma nova abordagem, mais interessante e que, se não gerasse tantos resultados imediatos, talvez pudesse gerar uma marca muito mais valiosa – e respeitável.

Inseridos numa realidade em que falar de fibras, atividade física, boa alimentação e cuidados com o corpo já são assuntos freqüentes no cotidiano de grande parte da população, a marca parece ter não aproveitado tão bem uma oportunidade de se apropriar de um tema urbano contemporâneo muito interessante: o da constipação, ou do intestino preso.

Um problema que atinge 2 em cada 10 brasileiros, a questão da constipação é talvez pela primeira vez, discutida com tanta abertura na mídia e na própria sociedade. Perde-se o medo de discutir um assunto tão, digamos, embaraçoso.

Hoje, outros iogurtes, alguns fitoterápicos e outros remédios e alimentos se aproveitam da brecha aberta pela anunciante – e criam seus próprios discursos. Numa estratégia de inovação, uma dessas marcas poderia se apropriar desse “território”, não só como fonte de imagem e aspiracional de uma vida mais feliz e mais leve, mas também como provedora de conteúdo, informação, apoio e comunidade.

Discutir o tema abertamente, dar empowerment para que isso seja feito, e servir como fonte de conteúdo de informação e comportamento – esse poderia ser um interessante papel para essa utópica marca, que beneficiaria tanto sociedade quanto a si mesma (e poderia talvez evitar cair em estratégias exageradas ou vistas como mentirosas).

Como fazer isso? Não adianta dar apenas dicas básicas. É preciso alguém que ESTUDE e INOVE também na abordagem do tema – e que leve em conta as dificuldades, desafios e responsabilidades que surgem ao se trabalhar com ele. É comum vermos interessantes iniciativas de marcas que se propõe a oferecer um conteúdo que ajude o consumidor a viver melhor. Mas, na prática, as dicas são muitas vezes bobas, sem muitas novidades; além de implausíveis e muitas vezes irrealisáveis. A estratégia e a iniciativa, que poderiam ser tão interessantes, depois de tanta propaganda incômoda, acabam desaparecendo como um fósforo brilhante que apaga rápido e ainda deixa um inconveniente cheiro de pólvora queimada no ar.

Relevância, conteúdo e inovação são necessários aí, e a iAZ acredita em estudar mais a fundo esses temas, para trazer abordagens inovadoras em relação a eles, e começar a inovar – ativamente – a partir daí. Essa é a nossa iniciativa.

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