post.it.e

#4: elBulli para todos, sem perder a elegância.

Uma reflexão a partir do elBulli sobre a expansão de marca – fenômeno tão delicado nos dias de hoje, tanto para as pessoas que sofrem com expansões vazias quanto para as marcas que perdem com investimentos furados.

por RENATO FIGUEIREDO.

23.nov.08

Tá aí mais um post inspirado pelo elBulli – como esse treco rendeu!

Famoso dentre outras coisas pelos milhares de pedidos de reserva que recebe, e por poder atender apenas uma ínfima quantia deles, o elBulli não deixa de ter seu “braço de mercado” que coloca as suas refeições (ou seriam especiarias?), ao alcance de vários.

O elBullicatering, a empresa do grupo responsável por abastecer festas e buffets com as criações do restaurante, atende a diversos clientes em maioria empresariais. Muitos eventos já foram contemplados pela culinária “Bulliana”, dentre eles os de marcas como Fnac, Coca-Cola, e HP.

(Em tempo: o nome do restaurante vem dos bulldogs dos antigos fundadores do elBulli – não, não foi idéia do Adrià, que entrou no restaurante em 1984, 23 anos depois de sua criação. Um bulldog também está intermitentemente presente na página do elBullicatering).

“Reachable for many”, o slogan intermitente da página da empresa, no entanto pode gerar controvérsias. A gente é publicitário e entende aqui que o “many” não quer dizer ‘qualquer um’, mas apenas um número maior do que os escassos 50 lugares diários providos pelo dito “melhor restaurante do mundo”. Mas o elBulli Catering é um exemplo de como levar o “conceito” para mais pessoas, sem perder a essência da marca.

MARCAS EGOÍSTAS

Mesmo no próprio mercado da publicidade encontramos cases que se esforçam para resolver o equilíbrio entre “expansão e qualidade criativa”. Num tempo de agências independentes, em que crescer também vira um problema é interessante ver como algumas marcas estão driblando esse equilíbrio entre o “narrow” e o “mainstream”, entre o único e o democrático. Algumas das hotshops mais evidentes do momento como a canadense Taxi e a americana Anomaly optaram por criar novas versões de seus escritórios ao invés de simplesmente expandirem suas estruturas e equipes.

A TAXI 2 e a Another Anomaly foram suas respectivas respostas ao dilema da expansão.
No caso do elBulli, é claro que com uma entropia tão grande quanto a da marca do melhor, mais cobiçado, inovador e irreverente restaurante do mundo, quem não quisesse expandir a marca poderia ser chamado, no mínimo, de egoísta.

E Entropia Marcária – anota aí – é mais um conceito que mede a “força” ou em palavras mais claras, o “potencial” que uma marca tem dentro de um mercado/sistema. Lembra da entropia, na física, quando você foi prestar vestibular? A energia interna disponível num sistema? Não? Tudo bem, mas você já deve ter entendido marcas muito quentes, com muito potencial, tendem a derreter se não se expandirem corretamente.

 

P.S: No site do elBulli catering é possível conferir fotos de todos os pratos servidos por eles. Divirta-se. http://www.elbullicatering.com/en/presentacion.html

pensamento, elbulli, restaurante, criatividade, planejamento, inovação, Brasil

iniciativa iAZ f1.0